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Quarta-feira, Março 4, 2026
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Obesidade é doença crônica e exige cuidado contínuo e abordagem integral

Woman feet standing on Weight Scale on wooden background
 Enfermagem exerce papel estratégico na prevenção, no acolhimento e no acompanhamento das pessoas com obesidade

Uma pesquisa internacional divulgada no Dia Mundial da Obesidade, realizada pela Ipsos com 14.500 pessoas em 14 países, incluindo o Brasil, revelou que 66% das pessoas que vivem com obesidade acreditam que a condição pode ser prevenida por meio de “escolhas pessoais”.

Embora a obesidade seja reconhecida como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 63% dos entrevistados concordam que dieta e prática de exercícios físicos, isoladamente, seriam suficientes para solucionar a questão para a maioria das pessoas. Pouco mais da metade (51%) reconhece fatores genéticos e biológicos como causa primária da doença.

Especialistas e organismos internacionais alertam, contudo, que essa percepção não contempla a complexidade do problema. De acordo com o World Obesity Atlas 2026, divulgado pela World Obesity Federation, a obesidade é uma doença crônica complexa, impulsionada por uma combinação de fatores biológicos, ambientais e sociais. O relatório destaca ainda que os ambientes onde as pessoas vivem, trabalham e estudam influenciam significativamente o risco de desenvolver obesidade, assim como fatores precoces, relacionados à gestação e aos primeiros meses de vida.

A federação ressalta que a ideia de que a condição depende exclusivamente de “força de vontade” pode dificultar o acesso ao tratamento adequado e reforçar estigmas que impactam negativamente a saúde física e mental.

A pesquisa também apontou que 7 em cada 10 entrevistados reconhecem a obesidade como uma condição médica que requer acompanhamento contínuo. No Brasil, entretanto, esse percentual é menor, ficando em torno de 55%.

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam que mais de 60% da população brasileira está acima do peso e que 25% já apresentam quadro de obesidade, cenário que reforça a necessidade de estratégias estruturadas de prevenção e cuidado.

Riscos associados e impactos na saúde mental

Entre as pessoas que convivem com obesidade, 53% reconhecem a associação com diabetes e 52% com doenças cardiovasculares. Entretanto, apenas 18% sabem da relação entre obesidade e o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, evidenciando lacunas importantes de informação.

O levantamento também revelou impactos significativos na saúde mental. Pessoas com obesidade relatam sentir-se julgadas pela aparência (35%), envergonhadas ou excessivamente autoconscientes (35%) e com sensação de perda de autocontrole (32%). Além disso, 36% afirmam experimentar ansiedade ao pensar na forma como são vistas por outras pessoas.

Iniciativas do SUS no enfrentamento da obesidade

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), existem iniciativas direcionadas à obesidade que incluem estratégias de prevenção, acompanhamento clínico e promoção de estilos de vida saudáveis, integradas à Atenção Primária à Saúde e a ações intersetoriais.

Entre as iniciativas está o Programa “Peso Saudável”, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, que disponibiliza orientações educativas, ferramentas de cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e conteúdos voltados à promoção de hábitos alimentares adequados e prática regular de atividade física. A estratégia busca ampliar o acesso à informação qualificada e fortalecer ações preventivas junto à população.

Além disso, a rede pública de saúde conta com linha de cuidado específica para sobrepeso e obesidade, garantindo acompanhamento multiprofissional, monitoramento de comorbidades e encaminhamento para atenção especializada quando necessário.

O papel da Enfermagem no cuidado integral

Nesse contexto, a Enfermagem exerce papel estratégico na prevenção, no acolhimento e no acompanhamento das pessoas com obesidade. Presente em todos os níveis de atenção à saúde, a categoria atua na promoção de hábitos saudáveis, no monitoramento de comorbidades como hipertensão e diabetes, na educação em saúde e na construção de planos de cuidado individualizados. A prática da Enfermagem fundamenta-se no cuidado humanizado e livre de estigmas, contribuindo para ampliar o acesso ao tratamento, fortalecer a adesão terapêutica e promover a saúde integral, considerando os determinantes biológicos, psicológicos e sociais que envolvem a doença.

O enfrentamento da obesidade, portanto, demanda ações articuladas entre políticas públicas, equipes multiprofissionais e estratégias baseadas em evidências científicas, reforçando a importância de uma abordagem ampla e contínua no âmbito do SUS.

Fonte: Ascom/Cofen, com informações do G1

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