A Marinha do Brasil (MB) batizará o primeiro navio da história recente com o nome de uma mulher, a enfermeira Anna Nery. O Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) “Anna Nery” é uma homenagem à enfermeira que se voluntariou para atuar em hospitais de campanha brasileiros durante a Guerra da Tríplice Aliança, que aconteceu na América do Sul, entre os anos de 1864 e 1870, mobilizando Brasil, Argentina e Uruguai em uma luta contra o Paraguai. A embarcação funcionará como uma unidade de saúde flutuante completa, com capacidade para promover mais de 40 mil atendimentos anuais em comunidades ribeirinhas da Amazônia Oriental.
O navio encontra-se em fase de testes no Estaleiro Bibi, em Manaus (AM), e entra em operação a partir do segundo semestre de 2026.
Construído com tecnologia totalmente nacional e recursos do Fundo Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, a estrutura do navio é composta por seis consultórios (médicos e odontológicos); centro cirúrgico para procedimentos de pequena complexidade; exames de imagem: mamografia, raios X e ultrassonografia; além de suporte: farmácia, laboratório de análises clínicas e leitos de internação.
O navio reforçará as atividades hoje desempenhadas pelo Navio-Auxiliar (NA) “Pará” e pelo NAsH “Sargento Lima” na área de competência do Comando do 4º Distrito Naval, que compreende os estados do Pará, Amapá, Maranhão e Piauí.
Primeira enfermeira do Brasil
Natural da cidade de Cachoeira, na Bahia, Anna Justina Ferreira Nery (1814–1880) é reconhecida como a primeira enfermeira voluntária do Brasil. Durante a Guerra da Tríplice Aliança, Anna Nery se voluntariou para atuar como enfermeira, após seus dois filhos e um irmão serem convocados para o conflito.
Anna Nery destacou-se por sua dedicação, sensibilidade e competência no cuidado aos soldados feridos, tanto nos hospitais de campanha quanto nos postos médicos. Na ocasião, perdeu um filho no conflito e, ao retornar ao país, foi reconhecida pela imprensa da época como “mãe dos brasileiros”.
Seu trabalho foi amplamente reconhecido pelas autoridades militares e civis, sendo condecorada com diversas honrarias, incluindo a medalha de prata Geral de Campanha e o título de “Heroína da Pátria”.
Após o fim da guerra, seu exemplo inspirou o surgimento das primeiras escolas de Enfermagem no Brasil, influenciando a profissionalização da área no país. Em 1926, Anna Nery foi oficialmente declarada patrona da Enfermagem brasileira, tendo sua trajetória incorporada à memória institucional da saúde pública nacional.
Seu legado permanece como símbolo de coragem, altruísmo e compromisso com o cuidado humano, inspirando gerações de profissionais da Enfermagem até os dias atuais.
Fonte: Ascom/Cofen – Roberta Santos




