Racismo não é opinião. É crime. A Comissão Nacional de Enfrentamento ao Racismo na Enfermagem reuniu-se nesta quinta-feira (16/4) com a Ouvidoria-Geral do Cofen para discutir os registros de casos de racismo contra profissionais de Enfermagem. A primeira ação concreta deste encontro já está incorporada na Ouvidoria: a criação de um campo especifico para identificar discriminação racial entre as denúncias recebidas pelo canal.
É um compromisso público dos Conselhos de Enfermagem receber, fiscalizar e tomar todas as medidas cabíveis em relação às denúncias. A articulação com a Ouvidoria busca garantir que vítimas de racismo encontrem suporte adequado e que as denúncias resultem em encaminhamentos efetivos.
“A Ouvidoria dos Conselhos Regionais e do Conselho Federal de Enfermagem é um canal aberto. Os profissionais não estão sozinhos; caminhamos juntos. As denúncias são instrumento fundamental para dar visibilidade às violências e orientar políticas mais eficazes no âmbito do Sistema Cofen/Conselhos Regionais”, afirma a coordenadora da comissão, Nádia Ramalho.
Nádia destaca a importância de reunir dados para entender e enfrentar as desigualdades. A reunião debateu mecanismos para aprimorar o registro, monitoramento e análise das denúncias recebidas pelas Ouvidorias. A proposta é qualificar esses dados, permitindo a elaboração de relatórios periódicos que subsidiem decisões estratégicas e ações concretas de enfrentamento ao racismo na enfermagem em todo o país.
Racismo na Enfermagem é subnotificado
O ouvidor-geral do Cofen, Eduardo Fernando Souza, identificou em levantamento preliminar 90 manifestações relacionadas à discriminação e 10 casos formalizados que citam explicitamente o racismo. “Os dados estão subnotificados, pois muitos casos não são registrados. Além disso, casos de racismo podem estar ocultos em denúncias de perseguição, injúria e violência”, alerta.

A sondagem Racismo e Discriminação na Enfermagem, realizada pela Articulação Nacional de Enfermagem Negra (ANEN), em parceria com o Coren-SP, em 2021, indica que a maioria dos profissionais em São Paulo testemunhou episódios de racismo no trabalho. 55,9% das situações de racismo relatadas partiram de pacientes/usuários, 46,6% de colegas de equipe e 43,8% de chefias — pesquisa permitia que cada participante assinalasse mais de uma opção. “É preciso ampliar a confiança nos canais institucionais, estimulando os profissionais a registrarem ocorrências e facilitando a identificação dos casos de racismo”, reforça Eduardo.
A reunião destacou a importância de fortalecer a articulação entre o Conselho Federal e os Conselhos Regionais, com foco na ampliação dos canais de escuta, acolhimento e resposta.
Os trabalhos coordenados da Comissão Nacional de Enfrentamento ao Racismo na Enfermagem e a Ouvidora-geral vão prosseguir, incluindo a elaboração de um relatório técnico com diagnóstico situacional e propostas estratégicas. A expectativa é que o documento contribua para consolidar políticas mais robustas — e, sobretudo, para incentivar que casos de racismo não sejam silenciados.
Composta por especialistas com ampla atuação social, a comissão foi criada em dezembro pela decisão Cofen 280/2025 e já elaborou minuto de Política de Enfrentamento ao Racismo na Enfermagem, que será apresentada ao plenário.
Fonte: Ascom/Cofen – Clara Fagundes



