10,7 milhões de pessoas contraíram tuberculose em 2024. A doença, que continua afetando principalmente populações mais vulneráveis, mata mais de 3,3 mil pessoas por dia no mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
“Os esforços globais para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas desde 2000; no entanto, os cortes no financiamento global da saúde ameaçam reverter esses avanços, afirma a OMS, em nota. Campanha lançada pela entidade neste 24 de março, Dia Mundial de Combate à Tuberculose, busca mobilizar países para o enfrentamento da doença.
Novas tecnologias, como testes portáteis e de baixo custo, têm potencial para reduzir de forma drástica a transmissão, na avaliação da OMS. Desde 2021, testes rápidos molecuares são indicados pela OMS para também para rastreamento. “Esses testes portáteis e fáceis de usar aproximam o diagnóstico da tuberculose dos locais onde as pessoas normalmente buscam atendimento”, afirma a OMS.
Utilizados para triagem, os testes rápidos são de fácil execução, não exigem infraestrutural laboratorial, podendo ser realizados por enfermeiros e técnicos de Enfermagem. Os enfermeiros podem solicitar o Teste Rápido Molecular (TRM-TB) e o teste IGRA para diagnóstico de tuberculose e infecção latente (ILTB), além de prescrever tratamento no âmbito de protocolos adotados nas instituições de Saúde.
A tuberculose é transmitida pelo ar, principalmente quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou cospe. A doença pode se espalhar de forma silenciosa. Os sintomas — como tosse persistente, febre, perda de peso e cansaço — tendem a se iniciar de forma leve e prolongada. Nesse cenário, a atuação dos profissionais de Enfermagem na APS é fundamental para diagnóstico precoce, que pode salvar vidas e reduzir a disseminação da doença.
Enfrentar a pobreza e vulnerabilidade também tem impacto direto na redução da doença, com forte determinação social. Municípios brasileiros com alta cobertura do Programa Bolsa Família apresentam coeficientes de incidência da tuberculose menor que aqueles municípios com baixa cobertura. Estudos também indicam que as pessoas que recebem cesta básica durante o tratamento apresentam maior probabilidade de cura e menor probabilidade de abandono.
Brasil: Mortes por tuberculose acendem alerta
O tratamento gratuito para tuberculose está disponível do APS. Controlada e em tratamento, a doença deixa de ser transmissível. Apesar disso, o Brasil registrou 85.936 novos casos em 2024 e teve 6025 mortes confirmadas em 2023, conforme o Boletim Epidemiológico do MS. O aumento dos casos, durante a pandemia, ainda não se reverteu totalmente.
“Morte por tuberculose é um evento sentinela, que indica falhas no acesso ao diagnóstico e ao cuidado”, explica o enfermeiro Vencelau Pantoja, conselheiro do Cofen, que defende a ampliação da testagem rápida, aliada a políticas sociais e ao fortalecimento da atenção primária, é considerada essencial para interromper a transmissão e avançar no controle da doença. A adesão ao tratamento também é essencial para reduzir casos de tuberculose multirresistente, em alta.
Sim! Podemos acabar com a tuberculose
Neste ano, a campanha global traz o tema “Sim! Podemos acabar com a tuberculose”. Com o slogan “Liderado por países, empoderado por pessoas”, campanha é mobilizar governos e sociedade civil para ampliar a conscientização e acelerar ações de enfrentamento à doença.
No Brasil, a tuberculose afeta sobretudo adultos, com predomínio do sexo masculino e grupos de alta vulnerabilidade social. O perfil etário reflete a alta cobertura da vacina BCG (Bacilo de Calmette-Guérin), altamente eficaz contra tuberculose meníngea e miliar (disseminada), mais comum em crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas.
Acesse o protocolo de Enfermagem para abordagem Tuberculose na Atenção Primária à Saúde.
Fonte: Ascom/Cofen – Clara Fagundes



