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Amazonas tem primeira turma de mestrado para enfermeiros indígenas do país

Grupo de pessoas, com predominância de feições indígenas, com artefatos indígenas e em construção ampla de palha. Na mesa, se lê: 1ª turma de mestrado
Corpo docente do programa se deslocará até o município, garantindo que essa formação aconteça dentro da realidade local

São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, tem a primeira turma de mestrado profissional voltada exclusivamente para enfermeiros indígenas. A aula inaugural aconteceu nesta quarta (18/3), com dez enfermeiros indígenas que atuam no munícipio, que tem o maior percentual de indígenas do Brasil.

O curso é ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico da Escola de Enfermagem de Manaus pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A proposta foi contemplada por edital de financiamento do Sistema Conselho Federal de Enfermagem/Conselhos Regionais, por meio do Profen, programa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) que destina recursos para programas de pós-graduação, por meio da parceria com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC)

A iniciativa busca integrar a formação científica da Enfermagem aos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, promovendo uma abordagem que considera aspectos culturais, territoriais e sociais no cuidado em saúde. Em São Gabriel, 9 em cada 10 habitantes são indígenas de 23 etnias. A região do Alto Rio Negro concentra mais de 85 enfermeiros indígenas em atividade, o que contribuiu para a construção da proposta do curso.

Representando o sistema Cofen/Conselhos Regionais, o diretor-secretário do Coren-AM, Zilmar Augusto, destacou a importância da iniciativa para a interiorização da formação profissional. “Nós não iremos retirar esses profissionais de seus territórios. Pelo contrário, o corpo docente do programa é que se deslocará até o município, garantindo que essa formação aconteça dentro da realidade local, sem afastá-los de suas comunidades”, afirmou.

Zilmar também ressaltou o caráter simbólico da iniciativa. “Estamos diante de um marco histórico para a Enfermagem brasileira, especialmente para a Enfermagem amazônica, ao reconhecer que a ciência precisa dialogar com os saberes tradicionais e as realidades dos povos originários”, completou.

Além da UFAM e do Sistema Cofen/Conselhos Regionais, a iniciativa conta com a participação de instituições parceiras, como Instituto Federal do Amazonas de São Gabriel da Cachoeira, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro, organizações indígenas (FOIRN) e gestores locais.

Profen

O Profen é o maior programa de fomento de mestrado e doutorado profissional em Enfermagem do Brasil. Lançada em 2025, a quarta edição da iniciativa vai contemplar 420 vagas de mestrado profissional e 80 vagas de doutorado profissional em cinco anos. A programa “Tecnologia e inovação para a gestão e cuidado de Enfermagem intercultural: integração dos conhecimentos indígenas e ocidental”, coordenado pelo Esron Rocha, foi uma das contempladas no 4º edital.

Até 2024, o Cofen já havia financiado 500 vagas de mestrado profissional. Em uma década, serão 1.000 enfermeiros enfermeiras com pesquisas de mestrado e doutorado financiadas exclusivamente pelo Cofen.

“Esse programa é o símbolo do nosso compromisso com o desenvolvimento social, científico e econômico da Enfermagem, especialmente para o atendimento das demandas complexas de saúde da sociedade brasileira e do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma o presidente do Cofen, Manoel Neri. Em um marco para o desenvolvimento científico da Amazônia Legal, o Profen vai financiar três programas de doutorado profissional em Enfermagem, antes inexistentes na região Norte.

Fonte: Ascom/Cofen e Coren-AM

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