Quarta-feira, Maio 8, 2024
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Perseguição: EBC quer demitir, por justa causa, Conselheira que denunciou assédio e censura na empresa

A gestão da EBC quer demitir a jornalista Kariane Costa por ela ter pedido a apuração de denúncias de assédio e censura à Ouvidora da Empresa. Além de funcionária do quadro da EBC há 10 anos, Kariane é a Conselheira eleita pelos trabalhadores no Consad, o Conselho de Administração da empresa.

A recomendação de demissão por justa causa foi encaminhado nessa quinta-feira, 08 de setembro, um dia depois da empresa pública ser alvo de críticas por ter sido usada como aparelho de campanha do candidado à reeleição Jair Bolsonaro.

O processo que resultou no pedido de demissão teve início em junho de 2021, a conselheira registrou um pedido na Ouvidoria da EBC para apuração de denúncias de casos de assédio moral na diretoria de Jornalismo da empresa. O pedido – que deveria ser sigiloso – foi vazado para coordenadores e gerentes da empresa que inverteram os papéis e passaram a denunciar que o assédio viria da conselheira.

O processo é cercado de irregularidades.

  • A denúncia de assédio por parte dos gestores não foi investigada;
  • Não foi apurado como o pedido registrado pela Conselheira na Ouvidoria vazou e chegou até os denunciados dando margem para retaliações por parte dos gestores;
  • Kariane só foi informada de que o pedido de apuração que ela havia aberto se tornou um processo contra ela própria em julho desse ano, menos de dois meses antes do relatório final ser concluído;
  • Os dois depoimentos que a Conselheira prestou à comissão de sindicância foram como testemunha;
  • Durante o processo – que supostamente deveria investigar o assédio por parte dos gestores – Kariane apresentou o nome de 35 testemunhas. apenas uma foi ouvida;
  • Das 16 pessoas ouvidas ao longo do processo, nove foram os chefes que deveriam ser investigados pelas denúncias de assédio.

A denúncia da Conselheira não foi o primeiro relato de assédio no âmbito da EBC. A empresa já foi condenada pelo TST a pagar R$ 200 mil por assédio moral coletivo. Essa semana o MPT (Ministério Público do Trabalho) suspendeu a mediação do processo.

O pedido de demissão por justa causa de uma representante dos trabalhadores é visto como uma retaliação a todo trabalhador que ousar questionar o aparelhamento ao qual foi submetido a EBC. Na EBC aparelhada pelo governo de Jair Bolsonaro, perguntar ofende.

Nessa sexta-feira (09/09/22), às 13h, trabalhadores da EBC farão um ato em apoio à Conselheira nas sedes da empresa em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

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