Por Kleber Karpov
O futuro da enfermagem no Distrito Federal foi o tema central de um evento promovido pelo Conselho Regional de Enfermagem do DF (COREN-DF) na quinta-feira (25/Jun), e reuniu especialistas, políticos e profissionais da saúde. Durante a “4ª Semana de Valorização da Enfermagem”, foram debatidas pautas cruciais como a proposta de um terceiro tripulante para as viaturas do SAMU, defendida pelo deputado distrital Jorge Vianna, e o anúncio de novas convocações para a rede pública, feito pelo Secretário de Estado de Saúde do DF (SES-DF), Juracy Cavalcante. As discussões também abrangeram inovações tecnológicas, como a inteligência artificial na assistência, e a importância dos registros adequados para a segurança jurídica dos profissionais.
O deputado alertou para o risco de sucateamento do serviço, que, segundo ele, evoluiu de uma política de governo para uma política de Estado consolidada. O deputado defendeu que a inclusão do novo profissional, em meio à reformulação da portaria de urgência e emergência, aliviaria a carga física das equipes e tornaria o atendimento mais ágil. O parlamentar também celebrou o reconhecimento da prescrição de antibióticos por enfermeiros pelo Conselho Federal de Medicina, uma conquista que, segundo ele, contou com a atuação do COREN-DF junto à Anvisa.
Na apresentação Vianna ressaltou a necessidade de se incluir um terceiro tripulante nas ambulâncias de suporte básico e avançado do SAMU. O parlamentar argumentou que a medida é fundamental para a saúde do trabalhador, a ergonomia e a segurança assistencial, destacando que a sobrecarga de trabalho afeta desproporcionalmente as mulheres, que são maioria na categoria.
“Hoje o SAMU de acordo com a criação estabelece que nós tenhamos pelo menos no mínimo dois tripulantes numa básica e três na avançada na básica um auxiliar de enfermagem ou um técnico e um condutor socorrista e na avançada um médico um enfermeiro e um socorrista ou um condutor socorrista. Pois bem Jorge, mas e aí o que você está querendo? Eu estou querendo que estamos tendo uma reformulação da portaria do serviço de urgência e emergência, que consigamos o terceiro tripulante para a viatura. Por que, vamos lá. Porque hoje no SAMU o Vitorino estava aqui, se aposentou, acho que sem sequelas né Loran? Com sequelas? Eu fiquei no SAMU por 10 anos, meti logo seis parafusos na coluna, cinco âncoras nos ombros, mas estou em pé. Mas a maioria que trabalha no SAMU está sequelado, com dor. Por isso que a carga é pesada. Todo mundo sabe aqui que você levantar um paciente numa maca, um paciente obeso, só você e o condutor fazendo isso todo dia, várias vezes por dia, multiplicado por semana, por mês, por ano… Nós temos uma vida útil. Então se nós tivermos o terceiro tripulante nós vamos revezando, a carga vai sendo dissipada, menos para cada um, além do atendimento ser mais ágil”, disse Jorge Vianna.
Novas convocações no DF
Em representação ao Governo do Distrito Federal, o Secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, anunciou a iminência de novas nomeações para a rede pública. Ele confirmou que a governadora determinou a liberação imediata das vacâncias de concursos anteriores, o que inclui a convocação de 150 técnicos de enfermagem.
“Eu trago um recado aqui da governadora ela já deixou isso público mas nós temos sim para esse ano eu sei que todos aqui almejam mais nomeações eu acredito muito no que ela está colocando, vamos gravar isso, que nós sim teremos nomeações ainda esse ano. O que ela já me determinou de imediato, inclusive eu falei com ela um pouquinho antes aqui, é liberar as vacâncias, essas vacâncias dos últimos processos de nomeações. Se eu não me engano, só dessas vacâncias, só de técnica de enfermagem eram 150, que estavam aí nessa pra gente já chamar. É das tornadas sem efeitos que a gente chama vacância, mas o deputado Jorge corrigiu que é as tornadas sem efeitos pra gente já convocar esses profissionais para atuarem na nossa linha de frente. Então acho que boas notícias virão aí”
Cavalcante ressaltou a urgência de aprimorar a gestão na saúde para combater o desperdício. Ele citou um estudo de 2022 que aponta que 53% dos recursos investidos na saúde pública são perdidos, não em desvios, mas em processos ineficientes que geram eventos adversos e aumentam o tempo de internação. “Quando a gente fala desperdício, eu não estou falando que é dinheiro puro indo pelo ralo. Desperdício é um evento adverso em saúde: é um paciente que broncoaspirou, é uma infecção relacionada à corrente sanguínea… Um tempo a mais de internação”, afirmou o secretário.
Inovação, tecnologia e o futuro da assistência

O evento também foi palco para discussões sobre as transformações tecnológicas na enfermagem. A Dra. Poliane Moita apresentou o modelo “Nanda 360”, um ecossistema global que visa integrar diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem em uma única plataforma, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2027.
A conselheira do COREN-SP, Dra. Vanessa Morrone, abordou a necessidade de letramento digital e posicionamento profissional. Ela mencionou uma iniciativa no Hospital Einstein, em São Paulo, focada em “inteligência ampliada”, e destacou que a inteligência artificial será uma das habilidades mais importantes para o enfermeiro no futuro.
Complementando o tema, o Dr. Lincoln Vitor, consultor legislativo, demonstrou como a tecnologia já auxilia na prática clínica. Ele explicou que a inteligência artificial, se bem utilizada, pode reduzir erros em até 85% e apresentou o “Parada App”, um aplicativo que orienta equipes durante procedimentos de reanimação cardiopulmonar (RCP).
A ética e a segurança jurídica do profissional
Os aspectos legais e éticos da profissão foram detalhados pelo Dr. André Casucas, procurador do COREN-SE. Ele esclareceu que a função primordial do conselho é defender a sociedade e a profissão, por meio da fiscalização e de seu Tribunal Ético, e não necessariamente o profissional em sua atividade-fim.
Casucas fez um alerta contundente sobre a principal causa de processos éticos: os registros inadequados. Ele enfatizou que a documentação correta de todos os procedimentos no prontuário e no livro de ordens é a principal ferramenta de proteção para os profissionais de enfermagem. “O registro é o escudo do profissional. Coloquem no livro de ordens tudo o que acontecer. Tudo. Coloquem no prontuário do paciente tudo o que vocês fizerem”, aconselhou o advogado.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
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